40 interações medicamentosas mais comuns na pandemia

Essas interações medicamentosas podem ser causadas pelo uso concomitante de dois medicamentos ou pelo uso juntamente com determinado alimento ou bebida. Em alguns casos os efeitos podem ser benéficos, mas o mais comum é que essas interações medicamentosas sejam prejudiciais.

Quase todas as interações entre dois medicamentos envolvem aqueles de prescrição obrigatória, mas algumas incluem medicamentos isentos de prescrição (MIPs), como o ácido salicílico, antiácidos e descongestionantes.


20 interações medicamentosas gerais


1. Ácido acetilsalicílico (AAS) e captopril – O ácido acetilsalicílico pode diminuir a ação anti-hipertensiva do captopril.

2. Omeprazol, varfarina e clopidogrel – O omeprazol (inibidor da bomba de prótons) pode aumentar a ação da varfarina e diminuir a ação do clopidogrel (antitrombóticos).

3. Ácido acetilsalicílico e insulina – O AAS pode aumentar a ação hipoglicemiante da insulina.

4. Amoxicilina e ácido clavulânico – A amoxicilina associada ao ácido clavulânico aumenta o tempo de sangramento e de protrombina (elemento proteico da coagulação sanguínea) quando usada com AAS.

5. Inibidores da monoamina oxidase (MAO) e tiramina (monoamina derivada da tirosina) – O inibidores da monoamina oxidase (tratamento da depressão) associada à tiramina (tyros = queijo) pode promover crises hipertensivas e hemorragia intracraniana.

6. Omeprazol e fenobarbital – O omeprazol usado com fenobarbital (anticonvulsivante) pode potencializar a ação do barbitúrico.

7. Levodopa e dieta proteica – Levodopa (L-dopa) - usada no tratamento da doença de Parkinson - tem ação terapêutica inibida por dieta hiperproteica.

8. Leite e tetraciclina – Os íons divalentes e trivalentes (Ca2+, Mg2+, Fe2+ e Fe3+) - presentes no leite e em outros alimentos - são capazes de formar quelatos não absorvíveis com as tetraciclinas, ocasionando a excreção fecal dos minerais, bem como a do fármaco.

9. Óleo mineral e vitaminas – Grandes doses de óleo mineral interferem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), β-caroteno, cálcio e fosfatos, devido à barreira física e à diminuição do tempo de trânsito intestinal.

10. Diurético e minerais – Altas doses de diuréticos (ou seu uso prolongado) promove aumento na excreção de minerais. Exemplo: furosemida, diurético de alça, acarreta perda de potássio, magnésio, zinco e cálcio.

11. Alimentos e penicilina e eritromicina – Após a ingestão de alimentos ou líquidos, o pH do estômago dobra. Essa modificação pode afetar a desintegração das cápsulas, drágeas ou comprimidos e, consequentemente, a absorção do princípio ativo. O aumento do pH gástrico em função dos alimentos ou líquidos pode reduzir a dissolução de comprimidos de eritromicina ou de tetraciclina.

12. Alimentos e fenitoína ou dicumarol – Medicamentos como a fenitoína ou o dicumarol desintegram-se mais facilmente com a alcalinização do pH gástrico. O pH também interfere na estabilidade, assim como na ionização dos fármacos, promovendo uma alteração na velocidade e extensão de absorção.

13. Antibióticos e vitamina C – Os antibióticos não devem ser misturados com vitamina C ou qualquer substância que a contenha (sucos cítricos), pois ela inibe a ação dos antibióticos.

14. Anticoncepcionais orais e anti-hipertensivos – Os anticoncepcionais (em geral) podem elevar a pressão arterial, anulando a ação dos hipotensores.

15. Benzodiazepínicos (em geral) e cimetidina – A administração de cimetidina e alguns benzodiazepínicos (alprazolam, clordiazepóxido, clorazepato, diazepam e triazolam) resulta em diminuição do clearence plasmático e aumento da meia vida plasmática e concentração destes benzodiazepínicos. Além disso, pode ocorrer aumento do efeito sedativo com o uso de cimetidina e benzodiazepínicos.

16. Digoxina e diazepam – O diazepam pode reduzir a excreção renal da digoxina, com aumento da meia vida plasmática e risco de toxicidade. Esse efeito é também relatado com o alprazolam.

17. Antidiabéticos orais e pirazolônicos – A administração de fenilbutazona e outros derivados pirazolônicos, concomitantemente aos antidiabéticos orais, pode potencializar a atividade hipoglicêmica.

18. Anticoncepcionais orais e indutores de enzimas microssônicas – Os anticoncepcionais orais (em geral), quando usados com indutores de enzimas microssônicas (rifampicina, barbitúricos, carbamazepina, fenitoína, primidona, griseofulvina) podem ter seu efeito anticoncepcional diminuído.

19. Anticoagulantes orais e anticoncepcionais orais – Pode ocorrer a diminuição dos efeitos dos anticoagulantes (em geral) quando usados com os anticoncepcionais.

20. Bebidas alcoólicas e ansiolíticos, hipnóticos e sedativos – Uma interação muito relevante é a potencialização do efeito depressor do sistema nervoso central (SNC) do álcool por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. A depressão resultante dessa interação pode causar até a morte por falência cardiovascular, depressão respiratória ou grave hipotermia.


20 interações com medicamentos testados para a Covid-19


1. Cloroquina/hidroxicloroquina e azitromicina – Risco de arritmia cardíaca (desconhecido). Aumento da chance de prolongamento do intervalo QT (arritmia cardíaca). Considerar potencialização de riscos quando a tríade for utilizada em hospitais: hidroxicloroquina, azitromicina e propofol.

2. Cloroquina/hidroxicloroquina e clorpromazina – Podem aumentar a biodisponibilidade em até quatro vezes. Aumenta o risco de síndrome extrapiramidal.

3. Cloroquina/hidroxicloroquina e fluoxetina – A fluoxetina pode aumentar os níveis de cloroquina e hidroxicloroquina, com possível toxicidade destas duas substâncias.

4. Cloroquina/hidroxicloroquina e dipirona – A dipirona pode diminuir os níveis séricos de cloroquina e hidroxicloroquina. Isso pode resultar em possível falha terapêutica de cloroquina e hidroxicloroquina. Atenção para possíveis distúrbios hematológicos (plaquetopenia, agranulocitose).

5. Cloroquina/hidroxicloroquina e antiácidos – Os antiácidos podem atrapalhar a absorção de cloroquina e hidroxicloroquina. Para evitar essa redução de biodisponibilidade, deve-se utilizar os antiácidos duas horas antes ou duas horas depois da administração dessas drogas.

6. Cloroquina/hidroxicloroquina e ciclosporina – Cloroquina e hidroxicloroquina podem aumentar a biodisponibilidade em até 4,3 vezes. A cioclosporina precisa ter sua dose reduzida caso haja necessidade do uso concomitante, para evitar imonussupressão intensa.

7. Cloroquina/hidroxicloroquina e codeína – Cloroquina e hidroxicloroquina podem comprometer a conversão de codeína em morfina. A ação da analgésica dos opioides pode ser diminuída.

8. Lopinavir/ritonavir e cloroquina/hidroxicloroquina – Lopinavir e ritonavir podem aumentar os níveis de cloroquina e hidroxicloroquina. Risco de arritmia cardíaca, com atenção principalmente quando é orientada a troca de terapia (não importando a ordem). Cloroquina e hidroxicloroquina têm elevada meia-vida (portanto, lento woshout).

9. Lopinavir/ritonavir e sildenafil e tadalafil – Lopinavir e ritonavir podem aumentar as concentrações de sildenafil e tadalafil. Risco de hipotensão acompanhada de taquicardia reflexa. Atenção para coronariopatas.

10. Lopinavir/ritonavir e codeína, oxicodona e tramadol – Lopinavir e ritonavir podem aumentar a oferta de codeína, oxicodona e tramadol (pró-fármacos), por inibição da CYP3A e 2D6. A ação analgésica da codeína, tramadol e oxicodona pode ser diminuída (porque não gera os metabólitos ativos morfina, o-desmetiltramadol e oximorfona, respectivamente) devido à inibição da CYP2D6.

11. Lopinavir/ritonavir e eritromicina e claritromicina – Lopinavir e ritonavir podem aumentar a oferta desses macrolídeos. Risco de prolongamento do intervalo QT (arritmia cardíaca).

12. Lopinavir/ritonavir e amiodarona – Lopinavir e ritonavir podem aumentar a oferta de amiodarona. Aumento da chance de prolongamento do intervalo QT (arritmia cardíaca).

13. Lopinavir/ritonavir e betabloqueadores – Lopinavir e ritonavir podem aumentar os níveis dos betabloqueadores, com risco de bradicardia e/ou parada cardíaca.

14. Lopinavir/ritonavir e clorpromazina, pimozida, quetiapina, risperidona e ziprasidona – Lopinavir e ritonavir podem aumentar a biodisponibilidade desses antipsicóticos. Aumento do risco de síndrome extrapiramidal e risco de arritmia.

15. Lopinavir/ritonavir e sinvastatina, rosuvastatina e atorvastatina – Lopinavir e ritonavir podem aumentar o níveis séricos das estatinas (atorvastatina em até 490%). Risco de miopatias, rabdomiólise, insuficiência renal. Atenção para os pacientes internados – neste caso é fundamental a conciliação medicamentosa.

16. Favipiravir e paracetamol – Favipiravir pode aumentar em até 20% os níveis de paracetamol. Recomenda-se não exceder 3g de exposição por dia. Entretanto, convém lembrar que como o favipiravir inibe a CYP2E1 talvez esse aumento dos níveis séricos não evidencie aumento de hepatotoxicidade.

17. Favipiravir e oseltamivir – Favipiravir pode aumentar em aproximadamente 15% de oseltamivir. Pode potencializar a ação de um fármaco eficaz contra H1N1.

18. Favipiravir e contraceptivos hormonais – Favipiravir pode aumentar as concentrações dos contraceptivos. Atenção para ganho de peso e alteração do ciclo menstrual.

19. Remdesivir e dipirona – Dipirona pode diminuir os níveis séricos do remdesivir. Possível falha terapêutica do remdesivir. Acompanhar a evolução clínica e atenção para possíveis distúrbios hematológicos (plaquetopenia e agranulocitose).

20. Remdesivir e rifampicina, fenobarbital, carbamazepina e fenitoína – Esses anticonvulsivantes podem diminuir a biodisponibilidade do remdesivir. Sugere-se investigar a evolução clínica. A rifampicina também pode diminuir os níveis séricos do remdesivir. Neste caso, atenção para os pacientes tuberculosos com complicação pulmonar pela Covid-19.


O papel do farmacêutico


A análise das prescrições feita pelo farmacêutico contribui, de forma decisiva, para a redução dos erros de medicação, da piora do quadro do paciente e dos gastos desnecessários. Para isso, podem ser usados programas informatizados que auxiliam na detecção de interações medicamentosas com o cruzamento de diferentes prescrições. O Prontuário Eletrônico permite a detecção da interação medicamentosa de forma mais fácil e, a partir disso, tomar a decisão correta quanto ao seu uso.


Fonte: https://www.ictq.com.br/varejo-farmaceutico/645-20-interacoes-medicamentosas-mais-frequentes

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